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Especialistas sugerem vacinação nas escolas para aumentar adesão

27/09/2023 às 10h43
Por: PROVISÓRIO Fonte: Agência Brasil
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Especialistas sugerem vacinação nas escolas para aumentar adesão

A dificuldade de aumentar a cobertura vacinal deadolescentes tem levado
especialistas a sugerir que uma solução eficaz para aumentar a imunização desse
públicopode ser levar a vacina até ele, no espaço em que estão com mais frequência:
a escola. A proposta ganha força no momento em que imunizantes com histórico de
atingiremmetas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) estão com baixas
coberturas.

“Outros setores como a educação devem trabalhar junto com o SUS e o Programa
Nacional de Imunizações. Se as escolas não atuarem junto, nós não vamos conseguir
dar essa aceleração”, afirma Luciana Phebo. Para a especialista,atuação vai além de
vacinar nas unidades de ensino, “fazendo vacinação nas escolas, campanhas de
vacinação, educação em saúde, trazendo para a escola essa temática da saúde como
importante para se cuidar, do autocuidado dos pais e mães, o cuidado com as
crianças pequenas. A vacinação é uma questão legal. A criança tem o direito a ser
protegida”.

Estratégia disponível
Vacinar nas escolas já faz parte dos planos do Ministério da Saúde para enfrentar as
baixas coberturas vacinais. A estratégia de multivacinação adotada no Amazonas e
no Acre desde junho, por exemplo, prevê essa ação entre as possibilidades de
vacinação fora dos postos de saúde.

A vacinação de crianças e adolescentes nas escolas deve incluir o apoio de
profissionais de saúde da atenção primária, para leitura de caderneta de vacinação, a
vacinação propriamente dita, e o registro de doses aplicadas no Sistema de
Informação Oficial do Ministério da Saúde. O público prioritário para essa ação são
as crianças e os adolescentes de 9 a 15 anos de idade, e as vacinas oferecidas são
dT, Febre Amarela, HPV, Tríplice Viral, Hepatite B, Meningite ACWY e Covid-19.
O Ministério da Saúde orienta ainda que a vacinação escolar deve ser precedida de
ação pedagógica e de divulgação voltada aos estudantes sobre a importância da
vacinação. Caso o responsável não queira autorizar a vacinação da criança ou
adolescente, ele deverá ser orientado a assinar e encaminhar à escola o “Termo de
Recusa de Vacinação”.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, um programa de vacinação nas escolas foi lançado no último dia
15, com a possibilidade de imunização nas escolas públicas e particulares. O
secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, destacou a imunização contra o HPV
entre as que precisam chegar aos adolescentes. A vacina garante maior proteção se
for aplicada antes do início da vida sexual e o vírus contra o qual ela protege é o
maior causador de câncer de colo de útero, além de estar associado a tumores
malignos no pênis, ânus e garganta.
“A vacina prioritária é a vacina do HPV, porque é uma vacina que salva vidas no longo
prazo, prevenindo o câncer de colo de útero e outros cânceres”, explicou o secretário.
“A gente pretende aplicar todas as vacinas do calendário. A expectativa é que a gente
vacine ou pelo menos confira a caderneta de 600 mil crianças nesse processo”.
Em um mês do programa, a Secretaria Municipal de Saúde aplicou 28 mil doses em
mais de 1,2 mil escolas da cidade. Somente contra o HPV, mais de 11,5 mil
adolescentes foram protegidos.

Promotora da saúde
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, conta que
trabalhou em vacinação nas escolas ao longo de sua carreira e afirma que as
experiências e estudos sobre o tema mostram que essa é uma estratégia necessária.

“Em 1993, fiz minha primeira campanha vacinal em escolas, e, sem dúvida nenhuma, a
literatura, a minha prática, a prática do Ministério da Saúde, mostram o quanto isso é
importante. Essa estratégia ainda é usada no Brasil como uma forma de acesso,
principalmente para adolescentes. Se não levar, eles não vão ao posto, então, é muito
importante”.

Além de abrir as portas para a vacinação, ela defende que as escolas podem
contribuir como promotora da saúde, com a educação em saúde. “A escola pode
contribuir muito com a confiança na vacinação, com a lembrança das próximas
doses, colocando esse tema, que é considerado transversal pelo Ministério da
Educação, no seu planejamento pedagógico. Saúde e educação precisam andar
juntas”.


A importância e as facilidades trazidas pela vacinação nas escolas também são
reconhecidas por parte das mães brasileiras. Uma pesquisa realizada com duasmil
mães no ano passado chegou a um percentual de 76% que consideram a escola
como o lugar ideal para a vacinação infantil. O estudo foi realizado pela farmacêutica
Pfizer e pelo Instituto Locomotiva e divulgado em abril deste ano. As respostas
indicam que as mães gostariam de ser ajudadas pela escola a manter o calendário
vacinal em dia.


Oito em cada dez mães concordaram com a frase "seria muito prático se a vacinação
do/da meu/minha filho/filha pudesse ocorrer dentro da escola", e, para 85%, "se
houvesse a possibilidade de a vacinação ocorrer na escola a cobertura vacinal infantil
poderia ser maior".


O questionário aplicado nas cinco regiões do país também mostrou que 81% das
entrevistadas ficariam seguras com a vacinação dentro da escola se soubessem que
ela seria realizada por profissionais de saúde qualificados. Segundo a pesquisa 91%
das mães afirmam que provavelmente autorizariam os filhos a receber as doses na
escola.

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