
A maior parte das uvas exportadas pelo Brasil saem de uma área
com poucas chuvas, mas muita água. Trata-se do Vale do Rio São
Francisco, área responsável por quase toda a produção da fruta na
Região Nordeste.
Por volta de 95% de todas as uvas do Brasil vendidas no mercado
externo de janeiro a outubro são de quatro municípios dessa região.
São eles os pernambucanos Petrolina e Lagoa Grande e os baianos
Juazeiro e Casa Nova.
Combinação única para produção de uvas no Brasil
Essa área é a única do mundo a conseguir duas safras de uva por
ano. O segredo para essa pujança é a combinação extraordinária de
clima seco — em razão das poucas chuvas — com a abundância de
água, graças ao Rio São Francisco, e muita ciência e tecnologia.
A água é enviada às lavouras por meio de irrigação realizada com
gotejamento. Com a falta de chuvas, o processo permite a hidratação
da planta com precisão — ou seja: sem escassez e nem excesso.
O cultivo é feito com plantas adaptadas. Em muitos casos, o trabalho
contou com a cooperação de renomadas universidades brasileiras,
como USP e Unicamp, e da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária.
Graças a esse tripé, o plantio da uva teve um boom nessa parte do
Brasil, conforme mostram os números do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Assim, em pouco menos de 50 anos, a produção se tornou 3,3 mil
vezes maior, fazendo desses municípios do Vale do Rio São
Francisco referência na produção da cultura.
Atualmente, a safra do Vale do São Francisco representa 27% da
colheita nacional. O grande destaque é Petrolina. Esse município
sozinho responde por cerca de 60% da produção local e 26% da
nacional.
Quando o assunto é exportação, Petrolina garante quase 70% das
uvas exportadas pelo Brasil.
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