
A escarlatina, uma infecção que atingia majoritariamente crianças e havia ficado praticamente relegada ao século passado, está reaparecendo em algumas partes do mundo e também no Brasil.
Na Inglaterra e no País de Gales se fala inclusive de “drásticos aumentos” de incidência desse tipo de infecção, e as autoridades de saúde pública ainda não conseguiram identificar a causa para isso.
No Brasil, a doença infecciosa atingiu diversas crianças em São Carlos-SP, no início de agosto e já vem chamando a atenção de autoridades.
A doença, que afeta principalmente crianças entre 5 e 12 anos, está em seu nível mais alto dos últimos anos, conforme pontua a Autoridade de Saúde Pública da Inglaterra (PHE, na sigla em inglês).
A escarlatina foi uma infecção comum na Inglaterra e no País de Gales no início do século 20, até os anos 1930, uma época que eles chegaram a registrar até 100 mil casos.
Desde então, os números foram reduzindo de maneira gradual, principalmente devido ao surgimento dos antibióticos.
No entanto, em 2014, os especialistas começaram a notar um aumento recente significativo no número de casos.
A causa?
Segundo o repórter de saúde da BBC, Dominic Howell, “a razão para isso estar acontecendo ainda é algo que intriga os médicos e não pode ser explicada apenas com o aumento da população”.
“Foram colhidas amostras de análises em várias partes do país e os especialistas acreditam que não apareceu um novo tipo de escarlatina”, afirmou Howell.
“As análises também revelaram que a infecção não se mostrou resistente à penicilina, ainda que isso esteja sendo estudado detalhadamente.”
A explicação ainda é um mistério.
Os autores do estudo publicado em novembro garantem que o aumento é “muito preocupante”, principalmente se ficar comprovado que ele se deve a uma resistência da bactéria.
“Temos agora uma situação que poderia mudar a natureza da doença e fazê-la resistente a vários tratamentos que normalmente são receitados para essas infecções respiratórias, como a escarlatina”, disse Nouri Bem Zakour, uma das pesquisadoras que participaram do estudo.
A infecção pode ser tratada com antibióticos.
Mas se ela não é tratada, pode virar uma febre reumática – essa, sim, mais grave e que pode causar danos permanentes no coração.
Theresa Lamagni, chefe do grupo que monitora infecções causadas por estreptococos, explica à BBC que os sintomas da escarlatina “desaparecem depois de uma semana” e que a doença normalmente é curada sem complicações quando é feito o uso adequado dos antibióticos.
“As complicações potenciais podem incluir infecção de ouvido, abcessos na garganta e pneumonia”, afirma.
“Os pacientes que não mostram sinais de melhora dias depois de começarem o tratamento devem buscar ajuda médica urgente.”
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