
De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ter um diploma de ensino superior no Brasil pode mais que dobrar o salário de um trabalhador em comparação com aqueles que possuem apenas o ensino médio. O relatório Education at a Glance 2025 destaca que brasileiros de 25 a 64 anos com ensino superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles com ensino médio.
O Brasil está atrás apenas da Colômbia e da África do Sul em termos de aumento salarial proporcionado pelo ensino superior. No entanto, o acesso a essa etapa de ensino ainda é limitado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024 mostram que apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais possuem ensino superior.
O relatório da OCDE também aponta que 25% dos estudantes brasileiros abandonam o ensino superior após o primeiro ano, uma taxa significativamente maior que a média da OCDE, de 13%. Além disso, apenas 49% dos estudantes concluem seus cursos, comparado a 70% nos países da OCDE. Apenas 24% dos jovens brasileiros de 25 a 34 anos concluem o ensino superior, menos da metade da média da OCDE.
As altas taxas de evasão podem indicar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo dos cursos, além de falta de orientação profissional. O relatório destaca que as mulheres têm maior probabilidade de concluir o ensino superior do que os homens, com uma diferença de 9 pontos percentuais no Brasil.
Em termos de investimento, o Brasil gasta US$ 3.765 por aluno no ensino superior, enquanto a média da OCDE é de US$ 15.102. Apesar do investimento menor em valores absolutos, o percentual do PIB investido é semelhante ao da média da OCDE, 0,9%. A OCDE ressalta a necessidade de melhorar os indicadores educacionais para aumentar o retorno dos investimentos.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, destaca a importância de fortalecer a preparação acadêmica e a orientação profissional no ensino médio, além de criar programas de ensino superior mais inclusivos e flexíveis. A organização também alerta para a qualidade dos cursos, já que muitos graduados enfrentam dificuldades em habilidades básicas de alfabetização.
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