
A Voltalia, referência global em energias renováveis, avança em uma iniciativa pioneira ao criar, voluntariamente, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na região de Canudos, na Bahia, onde opera um complexo eólico.
Reconhecidas oficialmente em 2025 por meio da publicação de duas portarias, as RPPNs Barreiras e Barreiras III possuem, juntas, 263 hectares de área preservada. A meta é dobrar sua extensão nos próximos anos. O objetivo da iniciativa é proteger a arara-azul-de-lear, espécie em perigo de extinção e símbolo da Caatinga baiana, além de conservar a biodiversidade única do bioma, que é exclusivo do Brasil e possui menos de 8% de seu território protegido por Unidades de Conservação.
As RPPNs são áreas privadas destinadas à conservação, formalizadas junto aos órgãos ambientais, com registro vitalício. Para garantir a preservação, o uso das RPPNs contempla atividades como pesquisa científica, educação ambiental e visitação turística. A RPPN Canudos é uma iniciativa da Voltalia, na qual a empresa assumiu a responsabilidade pela criação e gestão da reserva, reforçando seu compromisso com a preservação ambiental. Atualmente, a companhia está desenvolvendo o Plano de Manejo, que definirá as atividades a serem realizadas no local e será concluído nos próximos anos.
“A criação da RPPN Canudos é uma maneira de unir a missão global da Voltalia com o que há de mais valioso aqui no sertão baiano: a força da Caatinga e o modo de vida das comunidades. As RPPNs são exemplos de como a iniciativa privada pode ser uma aliada da conservação ambiental. Ao proteger o ecossistema da arara-azul-de-lear e do licurizeiro, também ajudamos a preservar tradições e garantir novas oportunidades para as famílias da região” comemora Nicolas Thouverez, Head Latam e CEO da Voltalia Brasil.
O processo de criação da reserva de Canudos envolveu diversas etapas, incluindo a regularização fundiária, um projeto multidisciplinar. Antes da publicação das portarias, foram realizados ainda estudos ambientais, vistorias em campo e toda a tramitação junto ao órgão ambiental até a emissão oficial do reconhecimento pela Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (SEMA). A iniciativa também contou com a participação de parceiros especializados, como a consultoria do Grupo de Pesquisa e Conservação da arara-azul-de-lear.
“A indicação das áreas prioritárias para a conservação da arara-azul-de-lear constitui uma das metas alcançadas com êxito pelo Programa de Monitoramento da espécie, desenvolvido pelo Grupo. Desde 2007, havia a expectativa de criação de uma unidade de conservação em Canudos, área que abriga um núcleo populacional estimado em cerca de 200 indivíduos e 20 ninhos, historicamente alvo de traficantes de aves para o comércio ilegal internacional”, explica a bióloga Érica Pacífico, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Conservação da arara-azul-de-lear, que desenvolve há mais de 18 anos pesquisas aplicadas à proteção da ave ameaçada de extinção.
Para a bióloga, a iniciativa entre a Voltalia, o grupo de pesquisa e os tomadores de decisão representa um avanço significativo na qualidade do habitat da arara-azul-de-lear. “Estou extremamente satisfeita com este resultado e convicta de que seus benefícios se estenderão não apenas à conservação da arara-azul-de-lear, mas também à proteção da fauna, flora — biodiversidade da Caatinga, de outras espécies ameaçadas da região e do fortalecimento das atividades tradicionais das famílias que vivem no entorno da nova unidade de conservação”, celebra Érica.
As áreas das RPPNs criadas, RPPN Barreiras e a RPPN Barreiras III, são contíguas, formando um bloco único de conservação, o que fortalece a conectividade ecológica e facilita a gestão integrada do território. A escolha da região foi motivada pelo alto valor ecológico da Caatinga, bioma exclusivo do Brasil e de grande importância para a conservação da biodiversidade.
“A criação da RPPN é uma iniciativa voluntária da Voltalia, não vinculada a nenhuma exigência de licenciamento ambiental. O projeto traduz, na prática, a nossa missão de melhorar o ambiente global, promovendo o desenvolvimento local. Vivemos no dia a dia esse compromisso refletido não apenas nas decisões de negócios, mas também na elaboração dos projetos sociais e ambientais”, completa Thouverez. A Voltalia foi reconhecida uma “Empresa com propósito” desde 2021, trabalhando com metas claras de impacto e um Comitê de Missão responsável por acompanhar os compromissos assumidos.
A Voltalia já conduz outras iniciativas voltadas à preservação e conservação da arara-azul-de-lear e do licurizeiro. No caso da arara, as ações envolvem o monitoramento e rastreamento de filhotes, permitindo compreender o comportamento da espécie e apoiar estratégias de conservação. Também são realizadas atividades de educação ambiental junto a escolas e comunidades locais, reforçando a importância da proteção da biodiversidade.
Já em relação ao licurizeiro, os esforços incluem a conservação das áreas de ocorrência da palmeira, a mediação de conflitos ligados ao uso do fruto e a promoção de práticas sustentáveis que incentivam seu aproveitamento pelas comunidades rurais. Somadas ao plantio contínuo de mudas de licuri, essas iniciativas fortalecem o ecossistema e geram oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável.
A criação da RPPN Canudos simboliza o compromisso da Voltalia com a conservação ambiental e o desenvolvimento local. Ao proteger espécies ameaçadas e valorizar a identidade das comunidades, a empresa reforça sua presença no território e seu cuidado com as pessoas que vivem ali, deixando um legado positivo que irá perdurar por gerações.

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