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120 anos da Guerra de Canudos foram celebrados nos dias 19 a 22 na Bahia

23/10/2017 às 16h41 Atualizada em 24/10/2017 às 00h37
Por: admin Fonte: Canudos Acontece
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Erinaldo Lubarino
Erinaldo Lubarino

Registrar o papel de Canudos na história brasileira e reverenciar as vítimas do massacre. Estes foram os principais objetivos da 30ª Romaria de Canudos, que aconteceu nos dias 19 a 22 na quinta-feira até domingo, na cidade de Canudos no interior da Bahia.

O evento religioso consiste em uma ação popular, que visa debater e despertar a população local e visitantes, sobre a importância de Canudos no passado, no presente e suas referências para pensar o futuro. Entre os destaques da programação estão o Encontro das Pastorais Sociais do Nordeste, palestras, eventos de manifestações culturais da região, apresentações de peças teatrais, missas, danças, mesas de debates, oficinas de literatura e moldagem, e de audiovisual e teatro, além de exposição sobre a produção agrícola sertaneja.

A 30ª Romaria de Canudos é organizada pelo Instituto Popular Memorial de Canudos (IPMC) e pela paróquia local. O evento terminou com uma alvorada, celebração eucarística e caminhada até o Mirante do Conselheiro.

Histórico de Canudos –  Ao falar do movimento de Canudos, logo lembramos de Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido por Antônio Conselheiro. Antônio Conselheiro chega à Bahia num contexto de sofrimento por parte do povo, dos pequenos agricultores e comerciantes locais. O decreto da Princesa Isabel pondo fim a escravidão (1888), sem nenhum tipo de política compensatória e de inclusão social, colocou os negros e negras numa situação de exclusão e indigência. Em 1877 a 1900 várias secas provocaram um intenso ciclo de migração interna no Nordeste. Na grande seca de 1877 a 1879 morreram cerca de 300 mil nordestinos e nordestinas. Estima-se que no Ceará em 1878 a migração, pôs em movimento migratório 120 mil pessoas.

O conselheiro chega a Canudos nesse contesto de abandono das populações empobrecidas. O Nordeste não interessava ao poder econômico e político. Antônio Conselheiro falava ao povo, afirmando ter sido chamado por Deus para servi-lo. Conselheiro, leigo, católico, diz-se convertido para anunciar o Evangelho aos mal-aventurados sertanejos/as.

Não fazia milagres, nem seus seguidores lhe atribuíam práticas miraculosas. Antes de chegar a Canudos, ele perambulou pelo interior do Ceará, Sergipe e Bahia, pedindo que o povo se organizasse e acabasse com a dominação dos maus políticos e latifundiários. Chegou à fazenda Umburana, a 420 KM de Salvador entre Euclides da Cunha e Jeremoabo, em 1893.


O lugarejo, batizado de Canudos, situado às margens do rio Vaza-Barris, tornou-se palco de uma comunidade de cerca de 20 mil migrantes das secas, ex-escravos, empobrecidos, desempregados e pequenos proprietários, que deixavam tudo para apostar em uma vida mais digna na chamada comunidade de Belo Monte, como ficou conhecido Canudos.

A Comunidade de Canudos logo cresceu. Antônio Conselheiro chegou com cerca de 800 peregrinos/as em 1893 e, quando foram massacrados (1897) pelas forças conservadoras do estado e pelo latifúndio, já contava com cerca de 20 mil pessoas.

 

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