
Em passagem por Salvador nesta semana para cumprimento de agenda oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao BNews, que a expansão do modelo de policlínicas regionais — inspirado na experiência da gestão estadual da Bahia — é a principal aposta do Governo Federal para descongestionar hospitais e agilizar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o chefe do Executivo, a estratégia visa centralizar exames e consultas especializadas, reduzindo a necessidade de grandes deslocamentos por parte da população. Lula confirmou que, apenas no início deste ano, foram emitidas 13 ordens de serviço para a construção de novas unidades em nove estados, somando um investimento de R$ 390 milhões.
“As policlínicas da Bahia são um grande exemplo de como é possível garantir que a população tenha acesso a consultas, exames e tratamentos especializados em um só espaço”, declarou o presidente.
Na Bahia, o cronograma prevê a conclusão de duas novas unidades ainda este ano, localizadas nos municípios de Camaçari e Remanso. As demais obras anunciadas nacionalmente têm previsão de entrega entre 2027 e 2028. Ao comentar o cenário local, Lula elogiou a continuidade administrativa das gestões de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, atribuindo a eles a consolidação da regionalização da saúde no estado.
Questionado sobre a demanda reprimida por cirurgias e exames, uma das principais queixas de usuários do sistema público, Lula citou os resultados preliminares do programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa aposta em frentes móveis e parcerias com o setor privado.
De acordo com o presidente, 47 carretas de saúde já estão em operação no país realizando diagnósticos e cirurgias de menor complexidade, como catarata, com a meta de ampliar a frota para 150 veículos. “Conseguimos fazer mais de 100 mil procedimentos até agora”, pontuou, referindo-se também aos mutirões em hospitais universitários e filantrópicos.
Outro ponto destacado foi a parceria com a rede privada. Hospitais e planos de saúde com dívidas federais estão aderindo a um modelo de compensação, onde o débito é trocado pela prestação de serviços ao SUS. Segundo Lula, grupos como Rede D’Or, Hapvida e Amil já integram o programa, o que deve garantir um incremento de 85 mil cirurgias e exames anuais, movimentando cerca de R$ 200 milhões em recursos convertidos em atendimento.
Durante a entrevista, o presidente também abordou a expansão das Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). Nesta agenda na Bahia, ocorre a entrega de seis novas unidades, parte de um pacote de 32 previstas para o estado até o fim do ano. Lula ressaltou que a manutenção desses equipamentos será custeada parcialmente com repasses federais mensais às prefeituras, mediante cumprimento de critérios técnicos.
No setor industrial, o destaque foi para a BahiaFarma. O presidente reforçou o papel da estatal no Complexo Industrial da Saúde, lembrando o anúncio feito em 2025 de R$ 183 milhões para modernização da fábrica. O objetivo é focar na produção de medicamentos para doenças raras, câncer, doença falciforme e neuropatia diabética, reduzindo a dependência brasileira de insumos importados.
Ao finalizar a entrevista, Lula projetou que o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) deve encerrar o ano com um aporte total de R$ 21,6 bilhões na área da saúde. Deste montante, R$ 2,4 bilhões são destinados especificamente a projetos na Bahia.
“Representa o cuidado essencial para que todas as pessoas sejam tratadas com a dignidade que merecem”, concluiu o presidente.
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