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ALUNOS CONHECEM A HISTÓRIA DE FORMOSA E VISITAM RUÍNAS DO ANTIGO POVOADO

30/10/2018 às 20h01
Por: admin Fonte: Sertão Baiano/Portal Formosa
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ALUNOS CONHECEM A HISTÓRIA DE FORMOSA E VISITAM RUÍNAS DO ANTIGO POVOADO

Alunos do 4º ano do ensino fundamental, orientados pela professora Elis Regina Barbosa, visitaram as ruínas da antiga Formosa. Os mesmos puderam, na prática, conhecer o local onde foi erguida a primeira Formosa, hoje chamada de Rua Velha.

“O projeto foi elaborado a partir da necessidade de que as crianças conheçam a história do povoado em que vivem. Conhecer essa história significa resgatar e preservar sua tradição e memória. Trata-se de uma oportunidade única para compreender, inclusive, a nossa própria identidade. Enfim, além de gerar bastante expectativas dos alunos, a aula de campo estimulou-os a manterem um olhar crítico sobre o que estavam conhecendo e vivenciando. Foi um momento incrível”, relatou a professora Elis Regina.

Os alunos puderam passear entre as ruínas das casas, conheceram o cruzeiro que ainda continua de pé, a casa da finada Censa, o alicerce da fábrica de caroá, além de conhecer outras histórias do povoado, contadas no local pelos geógrafos Jean Fagner e Jucélio Rodrigues.

 

 Casa da finada Censa, construída na década de 30 (foto de 2018)

 Cruzeiro que ficava no centro da antiga Formosa (Foto de 2018)

A história de Formosa é bastante rica e precisa ser conhecida e valorizada, principalmente por seus moradores, que pouco ou quase nada sabem sobre suas origens. Conheça um pouco da história!

Resumo Histórico

Na década de 20 o povoado Formosa ainda não exista, havia apenas algumas fazendas próximas umas das outras. Uma dessas fazendas já denominava-se Formosa e pertencia ao Sr. Ângelo Reis. Na mesma encontravam-se a Casa Grande e uma igreja (com cemitério incluso) construída em 1888. A igreja encontra-se até hoje (2018) em bom estado de conservação, inclusive, no último sábado (27/10), aconteceu a 6ª Festa de Nossa Senhora da Guia.

 Igreja N. S. da Guia – construída em 1888 (foto de 2018)

A primeira missa foi celebrada pelo padre Otimbo. Depois, veio o padre Emílio, que vinha uma vez por ano. E o terceiro foi o padre Manuel, que celebrava missa duas vezes por ano.

Origem do nome Formosa

Até o momento, a origem do nome que o povoado herdou é um mistério.

A versão mais contada pelos mais velhos é que um padre, ao visitar uma das fazendas da família Reis, se encantou por uma cacimba e disse que era muito “formosa”. Daí, a fazenda ganhou este nome e posteriormente o povoado.

A influência dos Revoltosos e Lampião

Lampião, o rei do cangaço, com o intuito de se estabelecer em território baiano, negociou algumas terras e animais com um integrante da família Reis – o Senhor Petronilo Reis, mais conhecido como Petro.

Após suspeitar que Petro estivesse lhe traindo, Lampião mandou queimar todas as fazendas, inclusive os animais.

Com medo, as pessoas das outras fazendas refugiaram-se na caatinga por vários meses.

Antes de Lampião e seu grupo aparecerem na região, já havia outro grupo chamado “Revoltosos”. Não se sabe qual era o objetivo do grupo, nem quem os liderava, mas sabe-se agiam de forma semelhante ao bando de Lampião, amedrontando as famílias daquela época.

Por volta de 1933, para ter melhor segurança, os fazendeiros locais uniram-se e construíram casas próximas umas das outras, às margens do riacho Grande (atual Riacho Macururé). No mesmo ano, para facilitar o transporte de policiais, foi construída a primeira estrada passando em Formosa, com destino a Patamuté e a Várzea da Ema.

Com o aumento da população, sentiu-se a necessidade de comércio. Foi construído um barracão coberto de palhas de coqueiro, nele eram vendidos, por Francisco Pereira e José de Souza Reis, vários produtos: feijão, farinha, rapadura, arroz, milho, pimenta-do-reino, etc.

A carne era vendida por Manoel Gregório. Tecidos eram vendidos por Deca Pacheco e Antônio dos Santos, ambos de Chorrochó-BA.

Quase todos os produtos eram trazidos de Canudos, Uauá e Bonfim de Vila Nova, transportados por animais em comboios.

Uma fábrica de confecção artesanal do caroá também foi construída.

 Ruínas da fábrica de confecção do caroá (foto de 2018)

No mesmo período chegou o primeiro carro, um jipe pertencente a João Borges, residente em Uauá-BA. Nesse dia, muitas pessoas esconderam-se na caatinga, pois nunca tinham visto algo tão barulhento e grande, pensavam que era um “bicho destruidor, comedor de gente”.

O primeiro professor foi Cornélio Araújo, ele era pago pelos pais para ensinar somente aos filhos homens, pois as mulheres não tinham esse direito. Ensinava três meses em uma casa, depois mais três meses em outra. Depois, em condições idênticas, foi o professor Antônio Luís. A primeira professora pública foi Maria de Dindinho.

A nova Formosa

No fim dos anos 40, com o início da construção da BR-116 na região, Formosa começou a ser transferida para o local onde se encontra atualmente. A primeira casa foi construída por José de Souza Reis, sendo um hotel.

 Primeira casa da “nova” Formosa (foto de 2016)

Outro motivo que acelerou o deslocamento da população foi uma doença que matou várias pessoas de uma mesma família. Achando que seria uma doença contagiosa, as pessoas resolveram se mudar.

O segundo hotel pertencia a Manuel Gregório. Também foram construídos alguns comércios e várias casas residenciais.

Em 1954, foi construído um barracão público, reivindicado ao prefeito de Glória pelo tenente José Soares. Nele eram vendidos vários produtos alimentícios, artefatos, etc. Nessa época, Formosa pertencia ao município de Glória-BA.

A primeira professora pública da “nova Formosa” foi Ester, ela ensinava em um salão particular. Depois construíram um pequeno prédio público. A primeira professora formada foi Waldecy Campos.

Em 1957 foi construída uma igreja pela comunidade, tendo como padroeiro o Coração de Jesus. O encarregado foi José Pires Monte Santo. O primeiro padre a celebrar missa nessa igreja foi padre Pedro, em 1958.

A primeira loja, que vendia tecidos e outros produtos, pertencia a João Joaquim de Santana.

Com a emancipação política de Macururé em 1962, Formosa passou a pertencer ao município de Macururé-BA.

O primeiro vereador do povoado foi João Joaquim de Santana, em 1963. Em 1976, chegava ao cargo de vereador o Sr. Abdias Tomaz de Almeida. O terceiro vereador foi Francisco Ferreira Brito.

Em 1965, Formosa teve grande evolução, com a chegada da firma denominada ETM, encarregada de continuar a construção da BR-116. Com a saída desta firma em 1970, a comunidade voltou a caminhar a passos lentos.

Manoel Dias da Costa, mais conhecido como Maninho, foi a primeira pessoa do povoado a ter um carro, uma camionete Ford F100, modelo 61. Isso aconteceu em 1967. Logo após, José Pires Monte Santo trazia um outro carro Ford F100, modelo 64.

Em 1971, o velho barracão foi substituído por um mercado de alvenaria e cobertura de telha. Foi colocada também iluminação pública a motor, com postes de madeira.

Em 1976 foi construído um prédio com duas salas e também um açougue.

Em 1978 foi construído um posto de saúde de primeiros socorros, sendo a primeira enfermeira Maria de Fátima Campos (Fatinha).

A primeira televisão da nova Formosa pertenceu a Senhora Darcy Tertulina da Silva, no final da década de 1980.

Em 1983 foi construído mais um prédio escolar, bem mais moderno, com duas salas, banheiros, etc., para atender alunos da 1ª à 4ª série do ensino fundamental.

Em 1985 a escola passou a trabalhar com turmas até a oitava série, sendo a primeira diretora Maria Amália da Costa e vice-diretora Maria Edileuza Santana.

No fim da década de 80 o povoado passou a ter energia elétrica.

Em 1996, Formosa passou a possuir um Posto Telefônico para atender os 134 habitantes existentes naquele ano.

Mesmo com 84% de crescimento populacional entre o período de 1996 e 2006, o povoado continuava a ter apenas um orelhão, colocado pela operadora Telemar. O posto telefônico foi desativado.

Em junho de 2011, Formosa passou a ter três orelhões em péssimo estado de funcionamento, além de extensões de linhas telefônicas disponibilizadas em Várzea da Ema (povoado vizinho), e também sinal da operadora TIM da cidade de Canudos, capturado através de antenas rurais.

Em 2014, o povoado passou a possuir telefonia fixa.

Em 2018, continua tendo telefonia fixa, orelhões que não funcionam e não possui nenhuma operadora de telefonia móvel.

A população formosense tinha, até o final de 2014, sinal aberto de televisão implantado pela prefeitura municipal. Este sistema foi desativado.

No fim de 2011, a GDel.net (hoje JS Telecom) passou a fornecer internet particular para o povoado. Além disso, havia um telecentro comunitário nas dependências do Colégio Municipal Ruy Barbosa, que disponibilizava acesso gratuito a toda comunidade, porém, desde 2014, encontra-se desativado por questões contratuais.

Igualmente a maior parte território nacional, Formosa tem precariedade em relação à saúde. Existe um PSF (Programa Saúde da Família) com médico e dentista uma vez por semana. Quando há necessidade de atendimento mais complexo, é necessário procurar hospital na sede (Macururé) ou em outros municípios, geralmente, Canudos e Euclides da Cunha.

Em relação à Educação, temos 2 escolas municipais e 1 extensão estadual.

O ensino do pré ao 5º ano é conduzido pela Escola Municipal Ana Nery. O ensino de 6º ano ao 9º ano é de responsabilidade do Colégio Municipal Ruy Barbosa, e o Ensino Médio é oferecido pela extensão do Colégio Estadual de Macururé.

A atual Formosa encontra-se em fase de crescimento devido o término da construção da BR-116 no fim da década de 90, várias casas foram construídas, restaurantes, borracharias, posto de combustível, etc.

A fonte de renda da população cresceu bastante, aqueles que não são funcionários públicos ou aposentados, trabalham direta ou indiretamente para os restaurantes ou outros serviços disponibilizados às margens da BR.

Ao longo do tempo, Formosa vem crescendo e tendo mínimas melhorias nos meios de comunicação, saúde, educação, meios de transportes, etc.

Enfim, Formosa ainda tem muita história pra contar e muito a crescer.

Quer conhecer as ruínas da antiga Formosa? Entre em contato com o Portal Formosa.

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