
Logo depois dos anúncios de relaxamento das medidas contra a pandemia, governo do Estado e prefeitura de Salvador informaram o começo da desmobilização de leitos para Covid-19, mas a gestão soteropolitana afirma que o Réveillon e o Carnaval só serão realizados com 100% da população vacinada. Um evento-teste para a retomada do setor de entretenimento está previsto para o dia 29 de julho, com 500 pessoas.
A prefeitura divulgou que mais de 58% do público-alvo já recebeu pelo menos uma dose de vacina. Além disso, todas as pessoas com mais de 46 anos constantes no cadastro do SUS já foram vacinadas com no mínimo uma dose, informou o secretário municipal de Saúde, Leo Prates.
Em coletiva, o prefeito Bruno Reis disse que irá decidir sobre a realização das festas até novembro. O gestor lembrou que o ritmo da vacinação na capital depende do envio de doses pelo Ministério da Saúde. O chefe do Palácio Thomé de Souza relatou uma conversa com representantes da pasta em viagem a Brasília na última quinta-feira (8) e disse que ouviu deles a promessa de que o processo será feito com celeridade.
"Em relação ao Carnaval: como vai ser, quando vai começar a preparar, vamos cada dia com sua agonia. Nós demos um passo importante, que foi a liberação de eventos sociais. Outro passo será a retomada de eventos de nossa cidade com limite de pessoas. Cada dia vamos tendo clareza do cenário de como irá ocorrer. Já disse e não escondo de ninguém: se depender do prefeito, vai ter. A data limite para [decidir] realizar o Carnaval é em novembro. Não vou cometer o erro de outros governantes que estão anunciando. Será pior ter que voltar atrás", declarou.
Com a queda na taxa de ocupação dos leitos para Covid, o prefeito informou o começo da desmobilização da estrutura. “Em relação à desmobilização, minha ideia é que temos hoje cinco hospitais e não vamos fechá-los. Mas vamos começar a bloquear leitos nesses hospitais, não justifica ter leito aberto e não ter paciente”, afirmou. Desde o início de junho, a prefeitura já desmobilizou 30 leitos de UTI adulto - eram 789 disponíveis no começo do referido mês e agora há 759.
O prefeito explicou que, ainda assim, a estrutura continuará disponível para facilitar uma rápida remobilização caso os números voltem a subir, o que acarretaria também no retorno de medidas restritivas. "Se necessário for, serão novamente ampliados, para não desperdiçar recursos. Se chegar final do mês com números caindo, aí vamos desmobilizando um hospital ou outro, mas sempre com possibilidade de retorno se os números voltarem a aumentar e se houver risco de colapso", disse.
No estado, os leitos anteriormente adaptados para receber pacientes com Covid voltarão a ter sua antiga função, explicou o governador Rui Costa, durante inauguração de uma policlínica em Ribeira do Pombal. "Nós ainda não decidimos por redução de leitos, não vamos chamar de retirada. Alguns [leitos] vão voltar à função principal. Por exemplo, o Hospital do Câncer de Caetité, que foi transformado em [atendimento da] Covid, é um dos hospitais que primeiro vão voltar a fazer atendimento principal do câncer, que também mata”, declarou o governador. Rui não deu uma previsão para o início do processo de desmobilização dos leitos.
As taxas de ocupação de leitos de UTI adulto para Covid-19 na capital e estado são de 57% e 66%, respectivamente, conforme os últimos dados.
Aulas - A data de retorno dos estudantes da rede estadual de ensino às salas de aula deve ser anunciada na próxima semana, segundo o governador. Rui disse aguardar apenas os dados dos próximos dias relativos à pandemia.
"Não ocorrendo crescimento da doença, se os números continuarem em declínio, no máximo até quarta-feira a gente anuncia a data de retorno às aulas semipresenciais da rede estadual em todas as cidades da Bahia. A rede municipal ficará a cargo de cada prefeito ou prefeita. Nós queremos voltar o mais rápido possível", declarou Rui.
Inicialmente, a volta às aulas ocorreria em um modelo híbrido, com metade de cada turma indo frequentando a escola às segundas, quartas e sextas; enquanto a outra metade iria às terças, quintas e sábados. Com portas e janelas abertas e distanciamento de pelo menos uma cadeira entre os alunos, cada sala teria no máximo 20 estudantes, acrescentou o governador.
O ano letivo da rede estadual teve início em março, com 100% das aulas remotas. As outras duas fases previstas são a híbrida e a totalmente presencial.
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