
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a Selic —taxa básica de juros da economia—, em 13,75% nesta quarta-feira (21). A decisão era amplamente esperada pelo mercado.
Em comunicado, o Copom aponta que, apesar da manutenção, não está descartada nova alta caso “o processo de desinflação não transcorra como esperado.” “O Comitê se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso.”
A decisão de manutenção não foi unânime. Dois membros do Comitê votaram pela elevação de 0,25 ponto percentual. foi a primeira tomada sem unanimidade entre os membros em mais de seis anos. O colegiado teve uma decisão “dividida” pela última vez em março de 2016.
No comunicado da reunião anterior, o comitê já havia sinalizado para o fim do clico de alta, mas deixou em aberto a possibilidade de um ajuste residual de 0,25 ponto percentual.
Além da persistência do cenário inflacionário, o comunicado do Banco Central também destaca a atividade econômica brasileira. “A divulgação do PIB apontou ritmo de crescimento acima do esperado no segundo trimestre, e o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom seguiu sinalizando crescimento”, observa o documento.
O movimento anunciado nesta quarta-feira (21) marca o fim do maior ciclo de aperto monetário do Brasil desde 1999, quando começou o sistema de metas de inflação. O BC começou a elevar a Selic em março de 2021, quando a taxa básica de juros da economia estava em 2%.
O atual patamar é o mais alto desde novembro de 2016, quando a taxa básica estava em 14% ao ano.
A decisão do BC vem em meio a expectativas de inflação ainda distantes da meta, embora as últimas estimativas do mercado mostrem reduções constantes, ligadas, sobretudo, à redução de impostos sobre combustíveis e energia e às sucessivas quedas recentes nos preços de insumos da Petrobras vendidos a distribuidoras.
No último Boletim Focus, que reúne os cálculos de analistas e instituições financeiras, as estimativas para o IPCA deste ano caíram para 6%, de 6,40% há uma semana. Para o ano que vem, os analistas veem um IPCA de 5,01%, ante 5,17% estimados há uma semana.
A meta perseguida pelo BC é de 3,50% para este ano, 3,25% para 2023 e 3% para 2024, todas com margem de 1,5 ponto para cima e para baixo.
Confira a íntegra do comunicado do Copom sobre a decisão desta quarta-feira:
A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:
O ambiente externo mantém-se adverso e volátil, com contínuas revisões negativas para o crescimento das principais economias, em especial para a China. O ambiente inflacionário segue pressionado, enquanto o processo de normalização da política monetária nos países avançados prossegue na direção de taxas restritivas;
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