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Prevenível por vacina, HPV é a infecção mais associada ao câncer

19/09/2023 às 11h43
Por: PROVISÓRIO Fonte: Agência Brasil
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Prevenível por vacina, HPV é a infecção mais associada ao câncer

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já está disponível gratuitamente
no Brasil desde 2014. No entanto, levar a proteção contra esse vírus a crianças e
adolescentes tem sido um esforço com resultados muito aquém do necessário.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que em 2021
apenas 37% dos adolescentes do sexo masculino receberam essa vacina no país,
enquanto o Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem como meta imunizar 80%
desse público alvo.
A importância da imunização contra esse vírus na adolescência se deve ao fato de
que parte de seus sorotipos é considerada altamente cancerígena, e a proteção da
vacina é maior se realizada antes do início da vida sexual, já que esse vírus é causador
de infecções sexualmente transmissíveis (IST). A vacina também é considerada a
forma mais eficaz de prevenção, já que o HPV pode ser transmitido em relações
sexuais mesmo com o uso de preservativo.

A associação do HPV ao câncer supera a de outros agentes infecciosos conhecidos,
como os vírus da Hepatite B e C, que podem causar câncer de fígado e leucemia; a
bactériaHelicobacter pylori, associada a câncer de estômago, esôfago, fígado e
pâncreas; e o vírus Epstein-Barr (EBV), cuja infecção pode evoluir para linfomas e
carcinoma nasofaríngeo.
A prevenção contra o HPV se torna ainda mais importante pela sua grande circulação.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, estudos indicam que 80% das mulheres
sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum
momento de suas vidas, e essa porcentagem pode ser ainda maior em homens.
Estima-se que entre 25% e 50% da população feminina e 50% da população masculina
mundial esteja infectada pelo HPV. A maioria dessas infecções, porém, é combatida
espontaneamente pelo sistema imune, regredindo entre seis meses a dois anos após
a exposição, principalmente entre as mulheres mais jovens.

Infecção mais cancerígena
A pesquisadora da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede
(Didepre) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Flávia de Miranda Corrêa, conta que o
HPV é o agente infeccioso que tem mais associações ao câncer descritas pela
medicina.
Na mulher, esse vírus é o principal causador do câncer de colo de útero e também
está relacionado a câncer na vulva e vagina. No homem, cerca de metade das
neoplasias no pênis partem de uma infecção pelo HPV. Além disso, em ambos, o
câncer de ânus e de garganta (orofaringe), também entram na lista.
“O HPV é um vírus sexualmente transmissível. Então, a transmissão se dá no contato
da pele com a pele, mucosa com mucosa, pele com mucosa”, explica a pesquisadora,
que por isso afirma que a vacinação é a principal forma de proteção contra o vírus.

A vacina contra o HPV deve ser aplicada em meninos e meninas de 9 a 14 anos, em
um esquema de duas doses. A segunda dose deve ser aplicada seis meses após a
primeira. Essa vacina protege contra os vírus dos sorogrupos 6, 11, 16 e 18, sendo os
dois últimos os principais causadores de câncer.
“A vacinação antes da exposição ao vírus é a melhor maneira de evitar a infecção. A
vacina é altamente eficaz e contém os vírus mais prevalentes”, afirma ela, que reforça
a necessidade da vacinação na idade recomendada pelo PNI:
“A vacina vai ser eficaz se a pessoa ainda não tiver tido contato com aqueles vírus
presentes na vacina. Ela previne, ela não trata. Além disso, a resposta imunológica é
melhor nos jovens, quanto mais cedo a vacinação for aplicada, eles desenvolvem uma
resposta melhor”.
Países que iniciaram a vacinação contra o HPV há mais tempo que o Brasil, como a
Austrália, já têm evidências de que a imunização reduziu a incidência dos casos de
verrugas, lesões precursoras e do próprio câncer. “Para a gente falta um pouco, até
porque nossa cobertura não está excelente", diz Flávia.

Oito em dez casos de câncer
O câncer cervical, associado ao HPV em mais de 80% dos casos, é uma das principais
causas de mortes de mulheres, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.
Sete em cada 10 casos desse tipo de câncer são resultado de infecções persistentes
pelos vírus HPV-16 e HPV-18, e 15% são causados pelos tipos HPV-31, 33, 45, 52 e
58.
Nas Américas, a cada ano, cerca de 83 mil mulheres são diagnosticadas com câncer
cérvico uterino e mais de 35 mil mulheres morrem pela doença - mais da metade,
antes dos 60 anos.
A pesquisadora do INCA explica que a evolução desses casos depende muito do
quão rápido eles são diagnosticados. Quanto mais precoce for a detecção, maior a
chance de cura e menor o sofrimento do paciente. Além de salvar a vida, a rapidez no

diagnóstico também reduz a possibilidade de sequelas, como cirurgias mutiladoras
nos órgãos afetados.


“No câncer do colo de útero e de ânus, que têm lesões precursoras, lesões malignas,
a gente pode tratar essas lesões precocemente e o câncer nem se desenvolver. Para
o câncer de colo do útero tem o rastreamento, que permite detectar essas lesões ou
o câncer em estágio inicial”, explica.

Tratamento
Uma pessoa infectada pelo vírus HPV deve tratar os sintomas para evitar que eles
possam evoluir para um quadro de câncer. A presença do vírus pode demorar anos
para se manifestar e costuma ser detectada pela presença de verrugas ou lesões na
pele das mucosas.
Não há tratamento específico para eliminar o vírus, e o manejo da doença se
concentra em combater as verrugas, dependendo da extensão, quantidade e
localização das lesões. Podem ser usados laser, eletrocauterização, ácido
tricloroacético (ATA) e medicamentos que melhoram o sistema de defesa do
organismo. Em geral, o tratamento é feito com ginecologistas, urologistas ou
proctologistas, mas outros especialistas também podem ser necessários.

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