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Projeto vai mapear situação do atendimento ao câncer infantojuvenil

20/12/2023 às 11h02
Por: PROVISÓRIO Fonte: Agência Brasil
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Projeto vai mapear situação do atendimento ao câncer infantojuvenil

O câncer é a segunda causa de morte entre pessoas de 1 a 19 anos no Brasil.
Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), para cada ano do triênio
2023/2025 surgirão no Brasil 7.930 novos casos entre crianças e adolescentes.
Diante desse quadro, a Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência
à Criança e ao Adolescente com Câncer (Coniacc) e a Sociedade Brasileira de
Oncologia Pediátrica (Sobope) desenvolvem projeto para mapear da situação do
atendimento do câncer infantojuvenil em todo o país.

 

De acordo com as duas entidades, os resultados poderão subsidiar novas políticas
públicas. Chamado de Mapeamento Nacional das Instituições de Assistência às
Crianças e aos Adolescentes com Câncer, o projeto tem o apoio do Ministério da
Saúde e de instituições que trabalham com câncer infantojuvenil, como o Childhood

Cancer International (CCI), a Sociedade Latinoamericana de Oncologia Pediátrica
(SLAOP) e a Keira Grace Foundation, que também oferece suporte financeiro. Em
agosto deste ano, foi realizada uma fase piloto. Em abril de 2024, as equipes devem
voltar a campo.

 

Em entrevista à Agência Brasil , a médica oncologista pediátrica e coordenadora do
‘Molecular Tumor Board’, vinculado ao Comitê de Medicina de Precisão da Sobope,
Carolina Camargo Vince, explicou que a previsão é mapear todas as instituições que
tratam crianças e adolescentes de câncer no país. Serão consideradas tanto as que
estão habilitadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como as que não estão.

“O primeiro foco vai ser olhar para todas as instituições, habilitadas e não habilitadas,
até para entender porque a ela não é habilitada mas trata o câncer infantil”, ressaltou
a especialista, lembrando que algumas delas são localizadas em regiões carentes de
serviços nas regiões Norte e Nordeste. “Simplesmente deixar de atender criança com
câncer nessas áreas não é o caminho”. A previsão é visitar mais de 100 instituições.

 

Detalhamento
O câncer infantil representa cerca de 2% de todos os tipos da doença. Existem
atualmente no Brasil 76 centros de tratamento habilitados pelo SUS e mais 14 não
habilitados, além de 48 instituições de apoio associadas à Coniacc e 62 não
vinculadas. Elas deverão receber um questionário do projeto. De posse das
respostas, as equipes realizarão visitas a esses locais. Nessas incursões, serão
identificados pontos de maior fragilidade e necessidade de gerar um relatório.

Segundo Carolina, as equipes vão levantar dados de maior sensibilidade. No caso das
instituições não habilitadas, como muitas delas realizam número pequeno de
atendimentos por ano, a visita poderá ser substituída por uma reunião online .
Em relação às instituições de apoio, a meta é identificar as características, o tipo e a
qualidade do trabalho. Também será uma preocupação compreender de que forma a
Coniacc e a Sobope podem ajudar. “A ideia desse mapeamento é amplo, para que a
gente possa entender qual é nosso o local de atuação principal e como se pode
ajudar. Esse mapeamento é um diagnóstico inicial do que ocorre hoje no Brasil no
que se refere ao câncer infantil”.


A ideia do projeto surgiu na Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica, dentro
de um movimento global, na tentativa de melhorar a taxa de cura do câncer infantil no
mundo. Segundo Carolina Vince, os números existentes hoje são muito discrepantes.
Para países de alta renda, o paciente infantil diagnosticado com câncer tem mais de
85% de chances de sobreviver, independentemente do diagnóstico. Para países de
baixa renda, sobretudo na África, esse índice chega próximo de 20%. “A desigualdade
é muito grande”.


Diante desse cenário, um movimento internacional vem buscando melhorar a
condição do tratamento nos países de média e baixa renda. “Para isso, a gente
precisa entender o que está acontecendo”, diz Carolina Vince. Por isso, várias
sociedades de oncologia pediátrica ao redor do mundo deram início ao mapeamento,
a partir de um questionário simples. No Brasil, o projeto elevou o grau de
detalhamento, planejando visitas de forma pioneira.
“Em nenhum lugar do mundo foi feito assim. A ideia é identificar as necessidades e
poder atuar de forma efetiva do lado do governo, em uma ação tripartite". A
expectativa é de que o resultado do mapeamento possa ser divulgado no segundo
semestre do ano que vem.


Diagnóstico precoce
Somente em 2021 foram registradas no Brasil 2.425 mortes entre pessoas de 1 a 19
anos, decorrentes de neoplasias como leucemia, linfoma, neuroblastoma,
retinoblastoma e tumores do sistema nervoso central. Carolina Camargo Vince
explicou, contudo, que a chance de cura de câncer em crianças e jovens é maior do
que entre adultos.


Por outro lado, o diagnóstico precoce, considerando fundamental, é muitas vezes um
desafio. Boa parte dos casos de câncer em adultos está associada a fatores de risco,
que podem ser rastreados por meio de exames. "No câncer infantil, a gente não tem
como rastrear, porque são doenças que aparecem e são raras”, observa Carolina.

Ela explica que os sintomas podem ser semelhantes aos de outras enfermidades
próprias da infância. Dessa forma, os médicos precisam sempre levar em conta a
possibilidade de câncer. Carolina também chama a atenção para o fato de que, entre
as crianças, há maior probabilidade de uma doença mais agressiva. Em
contrapartida, esse câncer tende a responder bem ao tratamento com quimioterapia
convencional. A chance de cura se aproxima de 85%, atingindo, em alguns casos mais
de 90%.


Em 2019, foi sancionada a Lei Federal 13.869, que assegura a realização de exames
diagnósticos do câncer em até 30 dias aos pacientes do SUS. Ela complementa a Lei
Federal 12.732/2012, que estipula o início do tratamento na saúde pública em no
máximo 60 dias. "Como o câncer infantojuvenil é distinto do câncer em adultos, ele
precisa do diagnóstico o mais breve possível, o que nem sempre acontece”, reiterou
o presidente da Sobope, Neviçolino Pereira de Carvalho Filho, médico oncologista
pediátrico do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo.

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