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Projeto de monitoramento de enchentes é premiado por ‘significativo impacto social’

27/01/2024 às 12h50
Por: PROVISÓRIO Fonte: Bahianoticias
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Projeto de monitoramento de enchentes é premiado por ‘significativo impacto social’

Projeto desenvolvido por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas ( FGV ) e da
University of Glasgow (Escócia), que deu origem a um aplicativo para monitorar
inundações em territórios vulneráveis, venceu oCelebrating Impact Prizena categoria
‘Outstanding Societal Impact’ (Excelente Impacto Social). A premiação é concedida
anualmente pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social (ESRC, na sigla em
inglês) do Reino Unido a projetos que tenham gerado significativo impacto social.

De acordo com João de Albuquerque, pesquisador da University of Glasgow que
liderou o projeto ao lado de Maria Alexandra Cunha, da Escola de Administração de
Empresas de São Paulo da FGV, esse prêmio é o mais importante do Reino Unido
quando se trata de reconhecer pesquisas da área de ciências sociais com impacto
social.

 

“O Celebrating Impact Prizese trata de um prêmio acadêmico avaliado por pares e é
voltado a projetos que saíram do campo da produção de um conhecimento
acadêmico para gerar impacto na vida da população”, disse Albuquerque à
Assessoria de Imprensa da FGV.


Intitulado “Dados à Prova D’Água”, o projeto busca melhorar o fluxo de informações
relacionadas a inundações, sobretudo em regiões vulneráveis a esse tipo de
ocorrência.


Segundo Cunha, essas informações costumam ser provenientes de agências
governamentais ou centros especialistas. Essas fontes produzem dados que
subsidiam, por exemplo, o envio de alertas para a população, que também conta com
suas próprias informações baseadas no conhecimento do território que ocupa.
“Além disso, as pessoas de uma determinada comunidade também repassam umas
às outras o conhecimento sobre o seu território, o que eventualmente pode ser útil
para subsidiar políticas públicas. Mas todo esse fluxo de dados sobre inundações,
com diferentes informações e oriundas das várias partes interessadas, acaba se
quebrando, o que pode pôr em risco o bem-estar da população. Por isso, nosso
projeto criou métodos para melhorar o fluxo dessas informações”, explicou a
pesquisadora da FGV.


Aplicativo
O estudo teve apoio da Fapesp e culminou na criação de um aplicativo gratuito,
disponível para qualquer comunidade, que permite às pessoas alimentarem uma
plataforma com medidas das chuvas e do nível dos rios, além de informações sobre
as consequências desses eventos no território.
O aplicativo envia essas informações geradas pela população para um banco de
dados, que também é alimentado pelas agências e centros especializados, a partir
disso é gerado umdashboard disponível à população, Defesa Civil ou a qualquer
interessado.

Segundo Cunha, não dá para falar do aplicativo sem exaltar os métodos que foram
criados pelos pesquisadores para coproduzir conhecimentos com as pessoas dos
territórios vulneráveis ou de centros especializados. O grupo adotou uma abordagem
inspirada na pedagogia dialógica do educador Paulo Freire (1921-1997) e guiada por
princípios de justiça climática e de justiça de dados.
Além de o aplicativo ser utilizado em escolas situadas em áreas de grande risco de
inundação no Brasil, a metodologia do projeto foi incorporada pela Defesa Civil dos
Estados de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Representantes do governo da
Colômbia também entraram em contato com os pesquisadores no intuito de adaptar
o aplicativo à realidade colombiana.


Conteúdo nas escolas e no YouTube
O projeto Dados à Prova D’Água criou uma disciplina eletiva para escolas do ensino
médio localizadas em regiões com risco de inundação. Assim, alunos e professores
em sala de aula podem exercitar esse método de medição pluviométrica e ajudar a
disseminar a ferramenta em seus territórios.


Atualmente, a plataforma já foi utilizada por mais de 200 escolas e mais de cem
defesas civis, que mobilizaram em torno de 500 cientistas cidadãos.
O projeto criou também um canal no YouTube que armazena um conjunto de filmes
sobre memórias de inundações, vídeos curtos que resgatam vivências das
populações que enfrentam esses desastres, com foco em valorizar o conhecimento
dos indivíduos sobre o fenômeno.


O Dados à Prova D’Água envolveu a participação de mais de 70 pesquisadores e
membros de diferentes comunidades de forma multidisciplinar, passando pelas
ciências exatas como hidrologia, física e informática, até as ciências sociais e
humanas, com pesquisadores das áreas de geografia, psicologia social,
administração pública, estudos de mídia e artes.

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