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BC alerta sobre aumento de golpes no Sistema de Valores a Receber

29/01/2024 às 11h09
Por: PROVISÓRIO Fonte: Agência Brasil
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BC alerta sobre aumento de golpes no Sistema de Valores a Receber

A promessa de reaver um dinheiro esquecido há vários anos acaba em prejuízo para
cada vez mais brasileiros. O Banco Central (BC) alerta sobre o aumento de tentativas
de golpe no Sistema de Valores a Receber (SVR) desde o fim do ano passado.

Segundo o chefe do Departamento de Atendimento de Institucional do BC, Carlos
Eduardo Gomes, a tecnologia dos golpistas varia, mas o procedimento não varia
muito. Criminosos simulam consultas em falsos sites e aplicativos fora do ambiente
da autoridade monetária. A falsa consulta resulta em valores altos, entre R$ 1 mil e
R$ 3 mil, a receber.

O Banco Central não forneceu estatísticas. Apenas informou que o volume de
denúncias nos canais de atendimento do BC – Sistema Fale Conosco e telefone 145
– aumentou consideravelmente nas últimas semanas, com um pico entre a última
semana de dezembro e a segunda semana de janeiro.


“Às vezes, os golpes são mais ou menos frequentes, dependendo da época, mas
temos percebido um crescimento de fraudes desde o fim do ano passado no
Sistema de Valores a Receber”, constata o chefe de departamento do BC.

Modernização
As tecnologias estão evoluindo, ressalta Gomes. O envio de falsos e-mails ainda
existe, mas os criminosos também usam falsas mensagens de WhatsApp com
supostas consultas “facilitadas” de valores a receber.
Nos últimos meses, no entanto, o BC tem registrado o uso de vídeos feitos com
inteligência artificial com falsos depoimentos de celebridades ou de autoridades
públicas.

Os vídeos recomendam links ou aplicativos não ligados ao Banco Central
com consultas fraudadas.
No fim de novembro, o BC lançou um alerta contra falsos aplicativos de valores a
receber .


Engenharia social
Apesar do esclarecimento, Gomes ressalta que os sistemas de segurança da
autoridade monetária e dos bancos não são violados. “O que acontece é que os
criminosos direcionam as pessoas para sites ou ambientes falsos, a maioria do
Leste Europeu. O valor a receber está preservado no sistema financeiro”, explica.

 

Segundo Gomes, quase todos os casos de fraude utilizam técnicas de engenharia
social em que a própria vítima fornece dados aos criminosos. “Quantas vezes
deixamos documentos à mostra ou entregamos cartões bancários sem ver o que o
atendente faz com ele? Nós somos os primeiros guardiões das nossas informações.
Se elas caem em mãos erradas, é só questão de tempo para levar golpe”, adverte.


No caso dos valores a receber, Gomes esclarece que a consulta é feita
exclusivamente na página do Banco Central na internet e que o sistema tem duas
camadas de segurança. Caso a consulta digitando o Cadastro de Pessoas Físicas
(CPF) constate a existência de recursos esquecidos no sistema financeiro, as demais
informações, como valor, origem e instituição em que o dinheiro está, só podem ser
acessadas com conta nível prata ou ouro no Portal Gov.br.


Orientações
Embora nem sempre seja possível reaver o dinheiro, o Banco Central orienta o
consumidor a procurar o banco ou a operadora do cartão de crédito para denunciar o
golpe e pedir o estorno do valor. Isso se a transferência não tiver sido feita por Pix,
em que as transações são instantâneas, e a recuperação do dinheiro, praticamente
impossível.


No caso de aplicativos falsos, o BC também recomenda o registro de uma
reclamação contra a empresa desenvolvedora da ferramenta no Procon local. Caso o
golpe tenha se concretizado, a autoridade monetária orienta a vítima a ir a uma
delegacia. “Em algumas situações, orientamos a pessoa a registrar boletim de
ocorrência. A polícia precisa da informação para pegar os fraudadores”, destaca
Gomes.


Conforme as estatísticas mais recentes do BC, os brasileiros ainda não tinham
sacado R$ 7,51 bilhões do Sistema de Valores a Receber até o fim de novembro. “O
golpista age em cima do alto valor não retirado. Ele não sabe se a pessoa tem
dinheiro, mas vende uma informação falsa. Diante da possibilidade de receber um
dinheiro que não espera, o correntista paga a terceiros”, explica Gomes.


“Na verdade, este é o golpe mais velho do mundo, apresentado de uma forma nova.
Quem não se lembra do golpe do bilhete premiado? O criminoso alegava que não
conseguia sacar um suposto prêmio de loteria e vendia o bilhete a uma pessoa que
levava algum tempo para descobrir que, na verdade, tinha perdido dinheiro”, resume o
funcionário do BC.

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