
O preço do feijão registrou alta em todas as capitais pesquisadas em março de 2026, com influência de excesso de chuvas e dificuldades de colheita em áreas produtoras. Segundo Dieese e Conab, o aumento do grão foi um dos principais fatores para a elevação do custo da cesta básica nas 27 capitais, com São Paulo na maior média (R$ 883,94) e Aracaju na menor (R$ 598,45).
Segundo o Dieese, além do feijão, também tiveram impacto no aumento da cesta a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, todos com alta. O levantamento aponta que batata e tomate, assim como o feijão, foram influenciados pelas chuvas nas principais regiões produtoras. Na direção oposta, o açúcar caiu em 19 cidades, associado ao excesso de oferta.
Segundo o Dieese, os maiores aumentos mensais no custo da cesta ocorreram em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Entre os valores nominais, além de São Paulo, aparecem Rio de Janeiro (R$ 867,97) e Cuiabá (R$ 838,40).
Segundo o Dieese, com o salário mínimo em R$ 1.621,00, o trabalhador nas capitais pesquisadas precisou de cerca de 109 horas para custear a cesta. O estudo também registra que, em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos foi de 97 horas e 55 minutos, ante 93 horas e 53 minutos em fevereiro.
“Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%”, indicou o levantamento.
Segundo o Dieese, na comparação em 12 meses, houve alta em 13 cidades e queda em quatro, dentro do conjunto de 17 capitais com série mensal disponível. Os maiores avanços foram em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As reduções mais acentuadas ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%).
Segundo o Dieese, o feijão subiu em todas as cidades. O tipo preto, pesquisado no Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, variou de 1,68% em Curitiba a 7,17% em Florianópolis. O tipo carioca, coletado nas demais capitais, teve altas entre 1,86% em Macapá e 21,48% em Belém. O estudo atribui o movimento à restrição de oferta por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda.
“Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais, só que o que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e a gente tem uma área plantada menor”, explicou Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).
Segundo Lüders, a produção ainda apresenta atraso em áreas como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas reduziu a janela entre culturas e levou à substituição por feijão preto destinado principalmente ao mercado indiano. “Os números que a gente tem hoje não refletem a nossa realidade, a gente tem tido menos o carioca, pois é um feijão que o governo não garante preço, já que o preço mínimo existe para enfeite, o produtor não se beneficia em nenhum momento disso não há mercado externo”.
O feijão carioca é comercializado a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda a partir de agosto, setembro e outubro, período de colheita da safra irrigada. O feijão preto é negociado em torno de R$ 200 a 210 a saca, com estoques das duas colheitas de 2025 e pressão relacionada a menor plantio na segunda safra e aos efeitos de chuva forte no Paraná.
“Isso é terrível para os produtores. A exportação diminuiu em 2025, isso é cíclico. O estímulo para plantar o feijão carioca é muito grande, e isso é um risco pois pode derrubar o preço”, complementa o analista.
A Conab estima produção acima de 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O levantamento também cita incertezas relacionadas ao aumento de custos de fertilizantes e combustíveis, além da expectativa de elevação global dos preços de alimentos.
Em março, o Dieese calculou o salário mínimo ideal considerando a cesta mais cara, em São Paulo, e despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor estimado para uma família de quatro pessoas foi de R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, o cálculo apontou R$ 7.164,94.
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