
Armados com livros, Professores de Salvador tem como resposta rifles apontados para suas cabeças.
Uma manifestação dos trabalhadores em Educação de Salvador na manhã desta terça-feira, 7, foi marcada por um confronto com guardas municipais, que utilizaram spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e armas para dispersar os participantes do protesto. Em greve desde o dia 11 de julho, a categoria está reunida em frente à Secretaria Municipal da Educação (Smed), na avenida Garibaldi, para reivindicar reajuste linear, avanço de nível e melhorias para a educação no município.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (Aplb), Elza Melo, afirma que o movimento é pacífico e classifica a reação dos guardas municipais como um fato “absurdo”.
“Foi um episódio terrível. Nós estamos fazendo um movimento pacífico, de luta, e, de repente, chegou aqui uma tropa da Guarda Municipal, que se exaltou, abusou do poder, jogou bomba de gás lacrimogêneo para cima da gente, apontou arma para nós, inclusive para a cabeça de uma professora. Nós condenamos esta arbitrariedade. Isso acontecia na época da Ditadura Militar, quando os trabalhadores se levantavam para brigar pelos seus direitos”, acusa.
Elza ressalta ainda que a maior parte dos trabalhadores é formada por mulheres, que chegaram a ser empurradas pelos agentes. “Somos uma categoria formada hegemonicamente por mulheres e fomos tratadas desse jeito, com bombas, empurrões e armas apontadas para nós. A responsabilidade desta truculência é do secretário de Educação Bruno Barral, que não quis dialogar com a gente e se escondeu por trás dos guardas”.
A ação da Guarda Municipal “é prova da truculência do Executivo Municipal de Salvador, liderado pelo prefeito ACM Neto”. Os professores foram recebidos com spray de pimenta, gás lacrimogêneo, balas de borracha e tiveram armas letais apontadas contra suas cabeças”, relata a diretora.
Os professores tinham como reivindicação inicial um reajuste salarial de 12,5% e a prefeitura oferecia 2,5%. Os docentes reduziram o pedido para 6,5%. No entanto, segundo a diretora do Sindicato, o prefeito continua impassível e se recusa a receber os docentes: “O prefeito mantém a intransigência e diz que só receberá os professores caso a greve seja encerrada”.
Ainda segundo Elza, a postura do prefeito dificulta as negociações pois a categoria tentou negociar com a administração antes de paralisar as atividades: “Enviamos a proposta à Secretaria de Educação em 3 de abril e só entramos em greve apenas em 11 de julho”. Além do reajuste, os professores pedem que a prefeitura reveja o nível dos docentes na carreira: “Estamos há quatro anos sem mobilidade na carreira”, critica a diretora.
A categoria volta a se reunir em mais uma assembleia para discutir o rumo das negociações, na quinta-feira (9), na quadra do Sindicato dos Bancários. Veja abaixo o vídeo da ação da Guarda Municipal contra os professores da capital baiana:
Nota da Prefeitura de Salvador
Em nota, a prefeitura de Salvador informou que a guarnição da Guarda Civil Municipal foi “hostilizada e agredida por mais de 150 manifestantes da APLB ao tentar garantir o acesso de servidores à sede da Secretaria Municipal de Educação”. Ainda segundo o comunicado, o diretor da GCM, Maurício Lima, tentou negociar com um representante do sindicato a sua entrada à Smed, cujos portões estavam acorrentados e trancados com cadeados. “Nesse momento, manifestantes começaram um tumulto impedindo o diálogo e hostilizando a guarnição”.
“A situação se agravou, quando os manifestantes acirraram os ânimos, ameaçando a integridade física do diretor da GCM e dos oito guardas, que o acompanhavam. Houve empurra-empurra e arremesso de objetos à guarnição, que reagiu com técnicas de dispersão”, completa a nota.
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