Cansados com os prejuízos e/ou dívidas e com receio de mais um ano de prejuízo, a maior parte dos produtores da região não fez o plantio de grãos neste ano. O resultado é uma produção de grãs pequena, porém com bons resultados para os agricultores que apostaram na colheita desse ano.
Em palavras de João do Feijão: “Quero inicialmente manifestar nosso pesar pela perda do grande Zé Dilson. Homem de muita sensibilidade humana e de uma visão de mundo diferenciado. Zé Dilson sem sombra de dúvidas contribuiu e muito nas ações em busca do desenvolvimento de nossa terra. Recebam nossas condolências”. Partilhando assim, seu momento nostálgico onde relembrou a grandiosidade do repórter e âncora do site EuclidesdaCunha.com. Relembrando: anualmente o repórter José Dilson Pinheiro acompanhava e publicava todos os desdobramentos comerciais desta valiosa fonte de receita do Município de Euclides da Cunha.
Em questionamento sobre qual seria o retorno das plantações de feijão, João do Feijão exalta: “Embora a área de plantio, comparada com o ápice de Euclides da Cunha, quando foi um dos maiores produtores de Feijão da região, tenha sido reduzida, esse ano obtive uma produtividade maior, com um bom aproveitamento, tendo expectativa para rendimento médio de 06 sacas por tarefa plantada. Com o atraso das chuvas, alguns produtores recuaram reduzindo a abrangência da plantação e outros só começaram a plantar em julho, tardiamente, mas com garantia de sucesso para muitos agricultores da região”.
O entrevistado afirma: “É uma pena que a área plantada tenha sido reduzida, pois poderíamos ter tido uma super safra caso isso acontecesse. Embora a produtividade seja boa, a área plantada foi bem pequena, refletindo diretamente no volume de feijão colhido, que será bem menor que outros anos. A previsão é que apenas 180 mil sacas sejam colhidas, justamente por conta da área reduzida”.
Ainda no mês de agosto, os primeiros grãos de feijão da safra 2019 já começaram a ser comercializados com o indicativo de aumento da oferta além do esperado assim que o sol se intensificasse. Neste mês de setembro, com mais sol ao longo dos dias, a colheita de feijão está em ritmo acelerado, e diariamente grandes carregamentos de sacas de feijão são comercializados, tanto na sede quanto na zona rural.
O preço médio do feijão do tipo carioca, o mais comum na região, está sendo comercializado por R$ 160,00/saca de 60kg. Esse preço é relativamente baixo para os agricultores, especialmente para os que produziram pouco. Já para os maiores produtores, que se utilizam, inclusive, de modernas máquinas de colheitas, o preço pode ser visto como um bom resultado do investimento.
ESTADO DE ALGUMAS ESTRADAS RURAIS AINDA DIFICULTAM O ESCOAMENTO DOS GRÃOS: Passada a principal fase de chuvas desta estação climática, o que se tem em Euclides da Cunha são estradas danificadas pelas chuvas. Boa parte já foi e está sendo recuperada pela prefeitura de Euclides da Cunha, mas ainda há muitos trechos que causam entraves no deslocamento dos veículos entre a sede a e zona rural, o que torna o frete ainda mais caro para os agricultores. Nos espaços publicitários institucionais, a prefeitura vem informando que as máquinas de recuperação das estradas continuam espalhadas nos trechos de maiores demandas e de acordo com o estado em que se encontra.
JOÃO CARLOS RODRIGUES FILHO: Euclidense, estudou no Educandário Oliveira Brito, foi menor aprendiz no Banco do Brasil, trabalhou com o seu pai João Manuel Rodrigues e posteriormente seguiu estrada até a capital baiana, onde mora atualmente, mas com retornos assíduos para sua cidade natal e é um dos maiores comerciantes e também produtor de feijão. Tivemos a honra de entrevista-lo, onde pudemos ficar a par das expectativas para a colheita de Feijão desse ano.
João do Feijão, nosso entrevistado tem uma trajetória próspera, profissionalmente. Iniciou sua vida em Salvador, trabalhando como empacotador, depois começou a vender feijão em mercearias de comunidades periféricas, também ancorou na famosa “Calçada” que é um bairro comercial de empresas atacadistas e foi alavancando suas vendas até começar a vender o “Feijão do João” em empresas como Walmart e grandes atacadões da capital. Sua marca de feijão importa de Minas, Goiás, Paraná, Mato Grosso e também leva os grãos retirados de solo euclidense para Aracajú, Maceió e outras regiões. “Feijão do João” e “Feijão Bonzão” tem uma diversidade abrangente, entre elas está o feijão fradinho, carioca e preto; além de comercializar açúcar cristal, açúcar demerara e farinha de mandioca.





