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Ex-líder da Limão com Mel diz que divisão de artistas no forró prejudicou crescimento do gênero

Vocalista da Limão com Mel por 22 anos, Batista Lima explica atritos entre artistas, critica rádios e relembra trajetória na banda nos 30 anos do forró eletrônico. Ouça podcast com entrevista.

21/12/2020 11h25
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Por: Allan Matos Fonte: G1

Batista Lima, ex-vocalista da Limão com Mel, acredita que o forró ganharia muito se os artistas fossem mais unidos. A "divisão" de alguns artistas tradicionais, as bandas famosas no anos 90 e os artistas que vieram depois prejudica o crescimento e a força do gênero, segundo ele.

O cantor pernambucano foi a voz da banda Limão com Mel por 22 anos. Além de vocalista, foi diretor musical de 2000 até 2014, quando saiu em carreira solo.

 

São dele sucessos como "Toma Conta de Mim", "E Tome Amor", "Um Amor de Novela", "Vivendo de Solidão", "Minha Vida sem Você". Essas músicas trouxeram exposição nacional nos anos 90 e começo dos 2000. Ouça história no podcast abaixo.

Nesta semana, o G1 publica uma série de reportagens sobre artistas e produtores que viveram o auge do forró nos anos 90.

 

A Limão com Mel foi criada em Salgueiro, em Pernambuco, em 1993, acompanhando o movimento do forró eletrônico de bandas como Mastruz com Leite, Cavalo de Pau, Eliane, a Rainha do Forró e Magníficos.

Para Batista, o mesmo momento de auge do movimento "Oxente Music" ou "New Forró" foi também a hora em que os artistas começaram a se dividir.

"Não por discussões, mas houve uma barreira a respeito de 'o forró verdadeiro é esse' e começou uma discussão entre classes, entre movimentos", diz em entrevista ao G1.

"Acho que isso prejudicou bastante o crescimento do forró, que eu acredito até como a frase do próprio Jesus diz: "Todo reino dividido contra si mesmo não prospera".

O cantor cita com admiração a relação de artistas baianos, como Ivete Sangalo e Luiz Caldas e Gilberto Gil, e dos cantores de sertanejo de diferentes gerações.

 

"Artistas do forró tradicional, às vezes, não dividem o palco com a gente e, eu conheço bandas de forró romântico que não querem dividir com Wesley ou com bandas do movimento atual de hoje, esse estilo mais dançante, mais balada".

 

Batista percebe dois motivos como principais para essa suposta divisão entre movimentos, e defende a união de todo mundo.

A primeira queixa é a musicalidade: "Mexeu muito, mudou muito na essência do forró no que era no que começou".

A segunda tem mais a ver com o ego: "De achar que o meu movimento é o melhor, é o verdadeiro e o outro não é. Enfim a gente começa a viver essa divisão, não de todos, mas às vezes até do próprio fã, de quem encabeça o movimento que diz que 'o meu movimento é o verdadeiro'".

Batista vê com naturalidade que o forró dos anos 90/2000 não esteja no auge das paradas hoje em dia. A banda chegou a fazer 366 shows por ano de 2003 a 2006, mas, antes da pandemia, a agenda era preenchida apenas nos finais de semana.

"Agora é o momento de outros movimentos e a gente tem que respeitar sim, eles passaram muitos anos esperando por essa oportunidade", diz o ex-vocalista da Limão com Mel.

"Todo ano vai surgir um produto novo, vai acontecer e a gente tem que ter muita maturidade para saber que nós temos o nosso público, que a gente tem respeito", completa.

 

Batista, no entanto, critica a estrutura das rádios: "Você tocava [antes] porque as rádios faziam questão de colocar seu sucesso, mas agora elas fazem questão de saber quanto você tem para tocar o seu sucesso".

"É uma disputa muito difícil, é uma luta desonesta", diz. "Eu acredito que o Nordeste está fazendo como aquela pessoa que tira os membros da sua casa, coloca na rua e coloca os de fora para dentro".

 

 

"Então está acontecendo assim, por isso que, infelizmente, a gente não está tão em evidência. Se você der um passeio aqui no Nordeste e ligar as rádios, vai perceber que pouquíssimas tocam o forró, a não ser os grandes que estão em evidência. Para os artistas independentes, realmente é um pouco mais difícil".

A Limão com Mel chegou a fazer turnê pelo Brasil com uma grande equipe no palco e nos bastidores. Todos eram funcionários do escritório com carteira assinada.

As ideias mirabolantes de sair de um limão na abertura do show ou de sentar em uma lua cenográfica são do próprio Batista, por exemplo.

"Eu cresci na frente de uma televisão, sou cinéfilo, apaixonado por filmes, shows, documentários. Eu ficava sempre me atualizando e chegava com as minhas maluquices...", lembra.

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