
Em Juazeiro, no Norte da Bahia, 237 gestantes e puérperas (mulheres que tiveram bebês há até 45 dias) com comorbidades, tomaram a primeira dose da vacina da Oxford/AstraZeneca, entre os dias 7 e 11 de maio, e aguardavam completar o esquema vacinal no mês de agosto.
O Ministério da Saúde atualizou nesta quinta-feira (08) as recomendações de vacina contra a Covid-19 para gestantes e puérperas. De acordo com a pasta, as grávidas e puérperas que tomaram a primeira dose da vacina AstraZeneca, devem completar o esquema vacinal com a segunda dose do mesmo imunizante.
Porém, as gestantes só poderão tomar a segunda dose apenas após 45 dias depois do parto.
Em maio, o Ministério já havia feito uma orientação simular, quando recomendou que gestantes que tomaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca aguardassem até o fim da gestação e do puerpério para receber, normalmente, a segunda dose do imunizante.
“Para as grávidas que tomaram a AstraZeneca, a orientação é a mesma: que após o puerpério seja feita a imunização com a mesma vacina e, com isso, completada a imunização”, disse o ministro Marcelo Queiroga, assegurando que, nestes casos, a vigilância sanitária será reforçada de forma a “monitorar a possibilidade de eventos tardios que, embora raros, podem acontecer.”
A vacinação das gestantes e puérperas com o imunizante, foi suspensa no dia 11 de maio pelo Ministério da Saúde, após orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na época ocorreu o registro de um caso de óbito de gestante que recebeu a vacina, que deixou o órgão em alerta. O público desse grupo passou a ser vacinado em primeira dose, desde então, com a vacina da Pfizer.
Intercambialidade
O ministério desautorizou ainda a combinação de vacinas, a chamada intercambialidade – estratégia já adotada por alguns municípios, que, em alguns casos, aplicaram a primeira dose de uma vacina para, em seguida, utilizar, na mesma pessoa, o imunizante de outro fabricante. Segundo Queiroga, ainda não há nenhuma comprovação médico-científica que valide a prática da intercambialidade, que não é recomendada em nenhum caso.
“Estudos de intercambialidade estão sendo realizados, mas ainda não são suficientes para tomarmos decisões como estratégias de saúde pública. Na hora que houver mais estudos, aí sim os especialistas vão se manifestar no [âmbito] do Programa Nacional de Imunização, apoiado pela câmara técnica”, disse o ministro ao fazer um alerta para os secretários de saúde de estados e municípios que, porventura, tenham adotado a combinação de vacinas.
“Os secretários estaduais e municipais de Saúde que, por acaso, queiram modificar as orientações do PNI não devem fazê-lo por conta própria. Devem fazê-lo após aprovação do grupo intergestor do PNI, apoiado pela Câmara Técnica. Claro que eles têm sua autonomia, mas não para mudar o cerne do que foi discutido na política tripartite”, disse Queiroga.
“Se é uma questão operacional do município, o secretário tem autonomia plena, mas não pode ficar criando esquemas vacinais diferentes, de maneira discricionária, sem ouvir ao PNI. A melhor maneira de termos eficiência na nossa política de vacinação é a discussão ampla, com o apoio dos especialistas”, acrescentou o ministro.
Da Redação com informações da Agência Brasil
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