
Uma tentativa de demolição de um píer e de uma passarela sobre as águas do Velho Chico, na Prainha do Candeeiro gerou revolta entre os proprietários e funcionários do Restaurante Bela Vista, em Paulo Afonso, Bahia.
Desde o início da manhã desta quarta-feira (30), equipes da Justiça e da Escolta Armada da Chesf – Companhia Hidrelétrica do São Francisco ameaçaram demolir a construção para cumprimento de uma determinação judicial através de ação movida pela Chesf.

Em alguns momentos, o clima ficou muito tenso. Indignada com a iminência de perder parte do empreendimento, a proprietária do estabelecimento questionou: “Eu queria saber por que só o Bela Vista? Têm vários restaurantes aqui na beira do rio, têm várias casas na beira rio São Francisco. Por que só o restaurante Bela Vista? Tem o Santuário, o Parque Aquático, tudo está dentro do rio, então por que só o Bela Vista. Aqui está a revolta de uma cidadã de bem, uma proprietária de um restaurante que lutou muito pra chegar onde chegou. Eu tenho pessoas que trabalham comigo diretamente, 12 mães e pais de família. Infelizmente, eu estou aqui à mercê”, disse a empresária ao sitepa4.

Felizmente, no final da tarde, os advogados Flávio Henrique e Augusto Andrade conseguiram convencer a Chesf a recuar e retomar um diálogo para possível acordo, ou, segundo a própria companhia conforme disse Dr. Flávio, “regularizar as construções”.
“Aqui o Restaurante Bela Vista, por exemplo, É de seu Luiz e dona Flaviana e eles já tão aqui há mais de 20 anos é de conhecimento público e notório. Um restaurante que é frequentado por por muitos pauloafonsinos, todo mundo conhece. Então, eu acho que não precisa a gente agir aqui com nenhum tipo de truculência, né? Eu acho que dá pra gente sentar, dialogar, pra gente ver não só aqui, como também aos demais”, argumentou Flávio.
O advogado alertou também que outros empreendimentos poderiam passar pela mesma situação que a dos seus clientes: “Acho que o que aconteceu hoje interessa a todos os estabelecimentos comerciais que tão aqui na borda do lago. Porque eu acho que isso aqui pode se tornar um precedente para um trabalho que a Chesf tá pretendendo fazer. Esse precedente se torna muito importante porque eu acho que a partir dele os demais pontos aqui que estão na borda do lago da PAIV e dos demais lagos também eles poderão no futuro também vir a ser ser alvo de algum tipo de operação ou de ação judicial. Então eu acho que a gente está deixando aqui uma excelente semente plantada no sentido de buscar uma solução dialogada e razoável para o caso. ”

O advogado finalizou exaltando a atitude da Chesf em reabrir o diálogo: “Eu queria aqui registrar e dar os parabéns à boa vontade que a companhia demonstrou aqui hoje. Ela tem o objetivo de cumprir sim, a decisão que o juiz Paulo Ramalho da 1ª vara deferiu. Apesar que já recorremos da decisão, ela pode ser revogada ou cair a qualquer momento, mas ao mesmo tempo, a Chesf também demonstrou ânimos em conversar, em dialogar, ela deixou claro quais eram as preocupações dela e nós também entendemos no quesito da segurança da barragem, da segurança da borda do lago, e como eu disse no início, deixamos aberta a possibilidade do diálogo. Por isso que eu acho que depois desse dia de hoje, dos acontecimentos que foram um pouco tensos, eu acho que a partir de amanhã a gente inaugura uma nova fase e eu tenho certeza que nós vamos chegar a um a uma decisão aqui a respeito desse problema do Restaurante Bela Vista.”.

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