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Saúde

Vacinação infantil despenca no país e epidemias graves ameaçam voltar

24/05/2022 06h56
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Por: PROVISÓRIO Fonte: pretonobranco

Em 2021, em torno de 60% das crianças foram vacinadas contra a hepatite B, o tétano, a difteria e a coqueluche. Contra a tuberculose e a paralisia infantil, perto de 70%. Contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, o índice não chegou a 75%. A baixa adesão se repetiu em diversas outras vacinas.

Para que exista a proteção coletiva e o Brasil fique blindado contra as doenças, o recomendável é que entre 90% e 95% das crianças, no mínimo, estejam imunizadas.

A queda generalizada começou em 2015 e atingiu a pior marca em 2021. Até 2014, não havia resistência. Os pais prontamente atendiam às chamadas do Ministério da Saúde e levavam seus filhos aos postos. A cobertura vacinal costumava ficar acima dos 90%, por vezes alcançando os 100%.

Médicos das áreas de pediatria, infectologia, epidemiologia e saúde coletiva temem que, se esse quadro de baixa vacinação for mantido, o país poderá assistir a novas catástrofes sanitárias, com o ressurgimento de epidemias que eram comuns no passado.

Os especialistas apontam diversas causas para a queda da imunização infantil. Uma delas é, paradoxalmente, o próprio sucesso da vacinação em massa na fase anterior. O PNI foi criado pelo Ministério da Saúde em 1973 e logo se tornou referência internacional. Graças a ele, muitas doenças praticamente sumiram do Brasil. A paralisia infantil, especificamente, desapareceu por completo — o último caso no território nacional foi registrado em 1989, na Paraíba.

Por causa desse sucesso, os pais mais jovens não testemunharam as epidemias, sequelas e mortes tão comuns em outros tempos e podem ficar com a sensação de que essas enfermidades são inofensivas ou simplesmente não existem mais. Seria, portanto, perda de tempo vacinar os filhos.

É uma sensação falsa. As doenças podem aparecer a qualquer momento. A vizinha Venezuela, por exemplo, vem registrando vários casos de difteria nos últimos anos. A paralisia infantil acaba de ressurgir em Israel, que havia passado mais de 30 anos livre da enfermidade.

Os médicos dizem que a pandemia da covid-19 também prejudicou a vacinação infantil. Em primeiro lugar, porque boa parte da população praticou o distanciamento social e evitou sair de casa nos primeiros momentos da emergência sanitária. Diversos pais, assim, acharam mais prudente não levar os filhos aos postos de saúde, onde as famílias poderiam estar expostas ao coronavírus.

Em segundo lugar, porque os postos e hospitais direcionaram suas energias ao diagnóstico e tratamento das pessoas infectadas com a covid-19, deixando a vacinação de rotina em segundo plano.

Em terceiro lugar, porque a pandemia trouxe consigo uma avalanche de notícias falsas e informações distorcidas a respeito das recém-criadas vacinas contra o vírus da covid-19, o que acabou por minar a credibilidade de todas as demais vacinas.

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