
Em evidência no setor agropecuário brasileiro, as fazendas sustentáveis precisam ter e desenvolver os três princípios básicos de forma equilibrada: ambiental, social e econômico. Caso um deles não esteja 100%, o sucesso do sistema é comprometido.
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Enquanto o pilar ambiental está relacionado às práticas sustentáveis da propriedade — área de preservação permanente, descarte correto de lixo, conservação do solo e uso consciente dos recursos naturais —, o social pede que o proprietário considere o bem-estar dos funcionários, proporcionando segurança, salários justos, etc.
Tudo isso, claro, sem deixar o faturamento de lado. “Atender as legislações trabalhista e ambiental e ser viável economicamente é o básico para uma fazenda sustentável”, afirma Alexandre Berndt, pesquisador e chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pecuária Sudeste).
O primeiro item diz respeito ao zelo e cuidado com os empregados e integrantes da família que trabalham na propriedade. O aspecto da felicidade não pode ser ignorado, uma vez que está intimamente ligado ao pilar social.
“A atividade de tirar leite em uma pequena produção familiar é cansativa, pois todos os dias você precisa estar no curral de madrugada. Precisa-se buscar jornadas de trabalho, mesmo que seja na família, com rodízio, escala ou um empregado para ajudar eventualmente”, destaca Berndt.
“O desperdício precisa ser abolido no sistema de produção. Até desperdiçar tempo é ruim. Pode-se pegar um livro para ler sobre o manejo, passear na lavoura, fazer alguma coisa, mas não perder tempo”, aponta Alexandre Berndt.
Ele reforça que o desperdício de insumos, ração, água e energia depõem contra os princípios da sustentabilidade. Cinco atitudes ajudam a evitar: recusar, reduzir, reaproveitar, reparar e reciclar.
Em uma fazenda sustentável, é necessário entender todos os processos do negócio, como, por exemplo, saber o momento certo de comprar determinado insumo para, quem sabe, pagar mais barato ou tê-lo como reserva de emergência. O item, também relacionado ao planejamento, é da parte econômica.
A atividade agropecuária gasta muita energia, tanto elétrica como de combustível e térmica. Esta última é utilizada na secagem de grãos, como soja e milho, para evitar o apodrecimento após a colheita. Atualmente, já existem secadores à base de gás e energia solar, mas a prática usada há mais de 30 anos, com lenha, ainda é usada.
Outro exemplo na agricultura é o uso do óleo diesel, vindo do petróleo, como combustível para os equipamentos agrícolas. Neste caso, a indústria de máquinas busca acompanhar a automobilística e oferecer versões elétricas.
Um dos bens mais preciosos da natureza é fundamental para o desenvolvimento da fazenda sustentável e deve ser preservado para evitar a seca.
Uma das alternativas é trazer a água do rio à propriedade ao invés de levar a vaca até lá. O motivo? Localizada em um espaço de proteção permanente, a área pode ser pisoteada e receber dejetos dos animais, levando-os para outras famílias com a correnteza.
A pecuária e a agricultura regenerativa estão relacionadas à qualidade do solo. Por isso, é importante a manutenção e o melhoramento. O plantio direto na palha é feito nas fazendas sustentáveis para aproveitar o ambiente, que já está rico em nutrientes, umidade e microrganismos sem a necessidade de fazer a aração.
Para áreas maiores, a indicação de Berdnt é monitorar áreas e fazer curva de nível para diminuir o risco de que a terra seja levada em caso de chuva forte ou fique erosiva. Também é possível desenvolver um sistema de agrofloresta na propriedade, usar adubo verde ou realizar rotações de cultura.
Em propriedades rurais, não é estranho encontrar pneus velhos cortados ao meio destinados à hidratação e consumo de sal pelos bovinos. A prática evita o descarte irregular do produto, que pode levar mais de 500 anos para se decompor.
Enchentes e assoreamento são resultados do descarte em rios e lagos, enquanto a queima libera gases tóxicos, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Você sabia que o boi “contribui” com o efeito estufa? Sim, é verdade. O arroto produz um gás com potencial para o aquecimento global.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o total de emissões pelo rebanho global tem 44% de metano, 29% de óxido nitroso e 27% de dióxido de carbono. Mas é preciso destacar o outro lado da moeda. Se o boi emite gás, a adoção de práticas na fazenda sustentável pode auxiliar na diminuição.
“Pode-se colocar mais carbono no solo e usar em sistemas agroflorestais nas árvores. O mesmo tanto que se emite, o produtor consegue remover”.
Qualquer um dos três pilares fundamentais para a fazenda sustentável — ambiental, econômica e social — pode ter a incorporação de tecnologias.
O que é preciso ficar atento é sobre os níveis adotados pelo produtor rural. O correto é iniciar com ações fáceis e confortáveis, entendendo a expectativa e as condições.
Demonstrar conhecimento sobre todas as áreas da propriedade rural é imprescindível para o sucesso do projeto. Isso é válido para espaços pequenos e grandes. Um exemplo simples na agricultura é a compreensão sobre preço, qualidade e quantidade de insumos que serão usados na lavoura.
“Quando a atividade é a pecuária, o produtor não pode deixar as vacas terem bezerros no mesmo período. É preciso planejamento, eficiência e cuidado com o rebanho para não faltar leite”, finaliza o pesquisador da Embrapa.
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