
O julgamento de Alexandra Salete Dougokenski, acusada de matar o filho, Rafael Mateus Winques, de 11 anos, em maio de 2020, começa nesta segunda-feira (21).
O g1 transmite ao vivo o tribunal do júri direto da cidade de Planalto , no Norte do RS.
Alexandra está presa desde maio de 2020 e responde pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.
Rafael desapareceu no dia 15 de maio de 2020. Ele teria ido dormir e, na manhã seguinte, não estava mais em casa, conforme a denúncia da mãe.
Dez dias depois, Alexandra confessou o crime e indicou a localização do corpo, dentro de uma caixa de papelão que estava no terreno da casa vizinha de onde a família vivia.
Segundo a acusação, Alexandra teria feito com que o filho tomasse dois comprimidos de Diazepam, sob o pretexto de que ele dormiria melhor. Assim que o medicamento fez efeito, Alexandra estrangulou o menino, com uma corda.
A perícia confirmou que a causa da morte foi asfixia mecânica. Um mês depois do crime, a Polícia Civil realizou uma reconstituição dos fatos.
Alexandra Salete Dougokenski tinha 32 anos à época do crime. Além de Rafael, filho dela com o agricultor Rodrigo Winques, de Bento Gonçalves, ela é mãe de outro jovem, nascido em 2003, que era menor de idade quando o irmão foi morto.
Para o Ministério Público, Alexandra tinha "um comportamento frio, obstinado, que não admitia confronto, ser desrespeitada e desobedecida". Segundo o MP, no decorrer do processo, Alexandra tentou incriminar terceiros, como o irmão mais velho e o pai de Rafael.
"Ela sempre tentou [...] encontrar meios de se ver livre da responsabilidade pela morte do filho dela. Tentou das mais variadas formas se safar dessa responsabilização", disse a promotora Michele Taís Dumke Kufner.

Alexandra Salete Dougokenski é acusada de cometer quatro crimes:
Homicídio qualificado (motivo torpe, motivo fútil, asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa)
Ocultação de cadáver
Falsidade ideológica
Fraude processual
Segundo a denúncia, Alexandra matou o filho estrangulando-o com uma corda, após medicá-lo com Diazepan, para que ele não resistisse.
De acordo com a promotora Michele Kufner, Alexandra matou o filho pois se sentia incomodada com as negativas dele em acatar suas ordens, como diminuir o uso do celular e dos jogos online.
"Ela tinha um comportamento frio. Não abria mão de ser obedecida e faria tudo para não perder esse controle", detalhou a promotora.
Depois, levou o corpo até a casa vizinha, onde deixou-o dentro de uma caixa. "A mãe sabia que no local havia um tapume que encobriria o corpo do filho. Ao deparar com uma caixa de papelão, depositou o corpo, configurando a ocultação de cadáver com três agravantes: para assegurar a impunidade do crime de homicídio, crime contra criança e contra descendentes”, disse.
O MP atribuiu ainda a Alexandra o crime de falsidade ideológica, com agravante de assegurar a impunidade do crime de homicídio, por inserir declaração falsa em documento público. A mãe teria mentido à polícia, segundo a denúncia, dizendo que, ao acordar, percebeu que Rafael não estava, que a cama estava desarrumada e que não sabia o que poderia ter "motivado o mesmo a ter saído de casa sem avisar ninguém". Disse, ainda, que Rafael levou R$ 200 em espécie.
E a acusação de fraude processual se deu por ter mandado uma mensagem à polícia afirmando que havia encontrado um calendário com uma marcação no último dia em que Rafael teria sido visto com vida. Para a promotora, Alexandra quis reforçar a falsa versão do desaparecimento, ludibriar a polícia, produzir efeito em processo criminal e afastar eventuais suspeitas que pudessem recair sobre si.
O júri de Alexandra Dougokenski será realizado no salão do Clube Independente, no Centro de Planalto.
Serão ouvidas 11 testemunhas, sendo que algumas delas foram incluídas no processo tanto pela acusação quanto pela defesa. No total, são seis testemunhas de acusação e 10 de defesa.
Pela acusação atuarão os promotores Michele Taís Dumke Kufner e Diogo Gomes Taborda. Na assistência de acusação estarão os advogados Daniel Figueira Tonetto, Tiago Carijo da Silva e Humberto Ramos Zweibrucker.
A defesa de Alexandra será representada pelos advogados Marco Aurélio Dorigon dos Santos, Jean de Menezes Severo, Filipe Décio Trelles, Gustavo da Costa Nagelstein, Tomas Antonio Gonzaga, Joana Darque Ribeiro Gomes Segala e Mayra Juppa.
A ré será julgada pelo Conselho de Sentença formado por sete jurados e presidido pela juíza Marilene Parizotto Campagna, titular da Vara Judicial da Comarca de Planalto.
Serão disponibilizados 67 lugares no salão do júri:
15 para a imprensa
5 para a imprensa do MP
5 para estudantes de Direito
2 para representantes da OAB
15 para familiares da vítima e da acusada
25 para o público em geral

O advogado Jean Severo afirma que tentará provar a inocência de Alexandra na fase de instrução, quando pretende fazer uma acareação entre ela e o pai de Rafael. A principal linha de defesa é que Rodrigo é culpado pela morte do filho, ainda que sem dolo.
"Ele só queria levar o menino e acabou se exaltando demais. Vamos ver as versões se confrontarem frente a frente. Isto é raro em júri", diz.
Segundo o advogado, os testemunhos da mãe e do irmão de Alexandra, além do filho mais velho, serão determinantes para isto. "É coisa muito séria que vai aparecer e ninguém sabe", pontua.
Rodrigo foi o primeiro a depor na fase de audiências, em dezembro de 2020. Na ocasião, ele afirmou que não esteve em Planalto na semana anterior ao crime e que a última visita à cidade teria sido no início da pandemia.
Sobre o relacionamento com o filho, Rodrigo citou que não mantinha contato diário, pois morava em Bento Gonçalves, na Serra, mas seguidamente "falava pelo telefone", e que Alexandra às vezes não deixava ele conversar muito com o filho.
Ele concluiu afirmando não saber por que Alexandra o acusa de ter matado o filho.

Rafael Mateus Winques despareceu no dia 15 de maio de 2020. Ele teria ido dormir e, na manhã seguinte, não estava mais em casa. A mãe, Alexandra Dougokenski, chegou a dar entrevistas à imprensa pedindo ajuda a localizá-lo.
Porém, 10 dias depois, o corpo do garoto foi encontrado, e Alexandra admitiu o crime. Na primeira versão, ela sustentou que a morte foi acidental por excesso de medicamentos.
O laudo preliminar, porém, apontou que Rafael foi morto por asfixia mecânica. Alexandra então argumentou que usou uma corda para o transporte do corpo até a casa vizinha.
Em novo depoimento, em junho, Alexandra admitiu ter estrangulado o filho. Conforme o delegado Eibert Moreira Neto, na noite do crime, ao ver que Rafael ainda estava acordado — mesmo após ter tomado o medicamento —, perdeu o controle e resolveu estrangulá-lo.
Já durante a fase de instrução judicial, em dezembro, a ré mudou de versão mais uma vez, durante audiência. Ela passou a apontar o pai do menino, Rodrigo Winques, como autor do crime. A defesa dele nega.
O fato reacendeu suspeitas sobre Alexandra em relação à morte do primeiro marido. A família de José Dougokinski pediu a reabertura de inquérito da morte definida como suicídio em 2007.
Em janeiro de 2021, a Justiça aceitou o pedido de reabertura. A juíza Claudia Bampi considerou que, "diante do surgimento de provas novas" e de "documentos e justificativas apresentadas", os peritos do Instituto Geral de Perícias de Caxias do Sul que realizaram o laudo do óbito deveriam fazer "os esclarecimentos que entenderem pertinentes".
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